Das lutas por reassentamento à incorporação do cultivo de maconha na agenda
Nesta obra somos levados ao Submédio São Francisco, que se revela não apenas como uma região marcada pela seca, pelo latifúndio e pela violência, mas como um espaço vivo, plural, onde projetos de poder e expressões de resistência se entrelaçam há séculos. O livro, que se estrutura em 6 capítulos temáticos, mais a introdução e a conclusão, se inicia demonstrando a formação histórico-social do Submédio São Francisco, que posteriormente seria rotulado pela mídia como Polígono da Maconha. Nesse contexto, a terra, que sempre funcionou como meio de produção, território de poder e foco de disputa, se atualiza nos conflitos fundiários contemporâneos e na expansão da agricultura ilícita da maconha.
Com originalidade e rigor metodológico, a autora nos convida a compreender as reconfigurações territoriais que marcaram o Submédio no século XX. Nesse movimento, três agriculturas se impõem, a agroexportadora, a ilícita e a camponesa dos reassentados, cada qual carregando seus próprios projetos de futuro, disputando legitimidade e reordenando práticas produtivas. Trata-se de uma análise que exige do leitor o mesmo exercício metodológico que a autora assume: desconstruir, camada por camada, os sentidos e as práticas atribuídas a esse território, sempre atravessado por intervenções do Estado, interesses privados e resistências populares.