| Segundo o médico e pesquisador da Fiocruz André Pereira Neto, sua pesquisa revela que os conselheiros criam redes de favores em benefício próprio, numa prática patrimonialista que vai de encontro aos objetivos do SUS. Veja a entrevista em:
http://globotv.globo.com/globo-news/globo-news-em-pauta/v/pesquisador-fala-sobre-formacao-e-funcao-dos-sistemas-de-saude/1937120/
Os Conselhos de Saúde são órgãos de caráter deliberativo que funcionam no interior do aparelho de Estado (em níveis federal, estadual e municipal), dotados de poder legal para atuar na criação de estratégias e no controle da execução da política de saúde. Foram criados para exercer o controle social dos serviços de saúde oferecidos pelo SUS e, atualmente, existem em todos os municípios e estados do país.
Esses Conselhos são compostos por representantes dos usuários, dos profissionais e dos gestores, sendo que os usuários ocupam 50% das cadeiras. A pesquisa de André Pereira analisa depoimentos desses representantes dos usuários em três capitais (Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife) com o objetivo é conhecer os valores que regem a atuação desses conselheiros, cuja maioria tem um perfil socioeconômico de baixa renda e uma escolaridade residual.
Os resultados da pesquisa são surpreendentes: ela revela que os conselheiros entrevistados atuam nestes fóruns para atender, antes de mais nada, aos seus interesses particulares. Para tanto, é construída uma rede de favores recíprocos que envolve os conselheiros, os políticos locais e o cidadãos comum.
O pesquisador fica impressionado com a forma como os depoentes descrevem sem qualquer embaraço a estrutura e o funcionamento dessa lógica da troca de favores. E conclui que a prática patrimonialista - o uso privado de um poder público – parece não se restringir às elites parlamentares ou executivas de nosso país.
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