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| 6/1/2009 | | O mundo das metáforas químicas na saúde mental | | O livro "As metáforas farmacoquímicas com que vivemos", de Orlando Coser, é uma inovadora e lúcida análise de como a indústria farmacêutica dá nomes e cria metáforas para os seus produtos, muitas vezes o mesmo produto que no decorrer do tempo vai adquirindo diversos nomes e aplicações. A abordagem é pertinente e, mais do que nunca, atual. Sabemos que uma das grandes conquistas da segunda metade do século 20 foi a psicofarmacologia, que surgiu a partir de um medicamento sintetizado em 1950. O curioso é que ela envolve não apenas a produção de fármacos ou derivados, mas também de metáforas, novas formas discursivas produzidas para falar dos efeitos encontrados. É simples: uma vez que os efeitos obtidos com determinada substância inauguravam uma novidade para a qual não existia nome, era preciso inventar formas de designar o que o fármaco produzia. É isto o que convida à produção de metáforas diversas, todas com a mesma finalidade – enunciar pela palavra o efeito comportamental que a substância química ocasiona. Nessa junção entre a substância e a metáfora, nascem os estabilizadores, moduladores, tranquilizantes, energizantes e antidepressivos.
O autor, Orlando Coser, é médico psiquiatra, doutor pela PUC-SP, profesor do Instituto Fernandes Figueiras (Fiocruz, membro do Espaço Brasileiro de Estudos Psicanalíticos e autor de "Depressão, clínica, crítica e ética" (Fiocruz, 2003)e "De corpo e alma, cabeça e coração" (Garamond, 2006)
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