| Henrique Samet, professor da UFRJ, vem pesquisando há anos as atividades de repressão na Primeira República. Ao se deparar com o inquérito policial sobre essa rebelião de 1910 (que acabou sendo ofuscada nos livros de História pela Revolta da Chibata), interessou-se pelo episódio e recentemente publicou o livro “A revolta do Batalhão Naval”, pela Garamond.
Veja no link abaixo a entrevista de Samet sobre o episódio, concedida a Marco Antônio Monteiro Wanderley, do blog Perambulando: http://www.youtube.com/watch?v=bsAxWbBhNvc
O professor Samet resgatou o inquérito policial em suas pesquisas e com ele trouxe mais luzes e novas interpretações do evento: ocorrida dias depois da Revolta da Chibata e tendo praticamente os mesmos protagonistas, a Revolta do Batalhão Naval, embora fosse continuidade daquela e tenha sido mais duramente reprimida que ela, acabou ofuscada e relegada, quando muito, aos rodapés dos livros acadêmicos. No dia 4 de dezembro de 1910, logo após o término da Revolta da Chibata, começaram a ser executadas prisões de marinheiros e, concomitantemente, fortaleceu-se o rumor de que uma revanche dos oficiais da Armada estava em vias de execução. Nesse contexto, o Batalhão Naval, cujo quartel se situava na Ilha das Cobras, se levantou na noite de 9 de dezembro de 1910 e manteve, durante 18 horas (das 21h de 9 de dezembro de 1910 às 15h do dia seguinte), um confronto com forças do Exército e da Marinha. O levante do Batalhão Naval (também conhecido como Corpo de Infantaria da Marinha ou simplesmente fuzileiros navais) serviu para anular os efeitos da anistia concedida aos marinheiros da Chibata a pretexto de terem dado apoio ao novo movimento. Em uma versão exposta por Irineu Machado e Rui Barbosa (e repetida até os dias de hoje), sugeriu-se que a inquietação fora orquestrada para desestabilizar deliberadamente o Batalhão Naval e que isso se deu na busca de um pretexto para se acusar de cumplicidade justamente os marinheiros anistiados. Por tudo isto, a chave para se compreender a Revolta da Chibata – em seus contornos mais amplos e suas consequências mais trágicas – é desvendar os bastidores e o desenrolar da Revolta do Batalhão Naval, em 9 e 10 de dezembro de 1910, que deu pretexto para se impor o estado de sítio no país e iniciar uma dura repressão contra civis e militares.
Graças à informação obtida no inquérito policial recém descoberto, ficamos conhecendo a dimensão e a brutalidade da repressão aos rebeldes, assim como detalhes do contexto político e social da época.
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