|
|
|
CATÁLOGO |
|
PROFESSORES E ESTUDANTES |
| Veja nossas ofertas ... |
COLEÇÕES |

Diretor: Carlos Minc |

Diretor: Paulo Amarante |

Diretor: Roberto Bartholo Jr. |

. |

Diretores: Maria Luiza Heilborn e
Sérgio Carrara |

Diretor: Marcel Bursztyn |
|
|
NEWSLETTER |
|
Cadastre-se aqui! |
|
|
| |
|
|
|
NOTÍCIAS
|
|
|
| 2/1/2009 17:53:26 | | Joel Rufino conta a saga de Carolina Maria de Jesus | | Em matéria publicada em 23/01/2010, a Folha de São Paulo, diz: "Poeta performática e professora, Saphire relata em 'Preciosa' a vida de uma garota gorda, negra, analfabeta, abusada pelos pais e que aos 16 anos espera seu segundo filho, fruto de um estupro do pai. A menina, entretanto, muda sua vida a partir do momento em que aprende a ler e escrever. Essa forte história é baseada na vivência de Saphire como professora numa escola do Bronx, Nova Iorque, onde conheceu dramas bastante parecidos ao de Preciosa. A autora conta que dava seu curso baseado em diários de mulheres como Virginia Woolf, Sylvia Plath, Frida Kahlo e Carolina Maria de Jesus, que segundo ela é parte importantíssima na construção da personagem Preciosa.
Saphire destaca que os diários das brancas eram instrospectivos, enquanto o de Carolina Maria falava de classe, raça e luta pela comida para os filhos. A autora diz ainda ficar impressionada com o fato de os brasileiros dizerem não conhecer Carolina Maria de Jesus: 'Nos EUA você compra facilmente o livro de Carolina Maria.' – diz Saphire para a Folha de São Paulo.
O ponto de encontro entre a personagem de 'Preciosa' e Carolina Maria de Jesus pode ser descrito pela importância das letras para ambas. A inspiração que Saphire buscou em Caroline para compor Preciosa parece ser explicada pelas palavras de Joel Rufino, que acaba de publicar o livro 'Carolina Maria de Jesus: uma escritora improvável': 'Ela era pretensiosa, para o bem e para o mal. Não queria ser o que era, sem estudo, pobre e favelada. E tinha a vocação das letras, por meio do qual sublimava a vida desgraçada que levava'."
O livro de Joel Rufino conta a história de uma mulher que abalou o país nos anos 1960. Pudera: negra, semi-alfabetizada, favelada, sofrida como tantas que existem pelo Brasil afora, Carolina Maria de Jesus seria uma das tantas mulheres das classes pobres se não fosse um detalhe: sua paixão pela leitura e pela escrita. Ela dividia seu tempo entre catar papel no lixo para viver, cuidar dos filhos e escrever. Seu diário, "Quarto de despejo", acabou se transformando num dos maiores sucessos editoriais do país e Carolina, numa personagem forte, contraditória, inesquecível.
“Eu sempre quis escrever sobre Carolina Maria de Jesus, sua ascensão e queda”, confessa Joel Rufino dos Santos numa das primeiras páginas deste livro. E com razão. Carolina foi uma mulher extraordinária, cuja vida e cuja obra – ambas surpreendentes, complexas, contraditórias – deixaram marcas na geração que viveu os anos 1960.
Nascida em Sacramento, no interior de Minas Gerais, só estudou até o segundo ano primário. Já adulta, emigra para a metrópole e vai morar na favela do Canindé, na zona norte da cidade de São Paulo. Ali começa a trabalhar como catadora de papel usado, tarefa que realiza até sua morte, em 1977.
Uma história que poderia ser a de qualquer mulher brasileira das classes pobres – negra, semi-alfabetizada, favelada, sofrida como tantas que existem pelo Brasil afora – se não fosse por um detalhe: a paixão de Carolina Maria de Jesus pela leitura e pela escrita, que Rufino chamou de “grafomania”: ela dividia seu tempo entre catar papel, cuidar dos filhos e escrever.
Em 1960 publica a sua primeira obra, Quarto de despejo, livro-diário em que relata a fome cotidiana, a miséria, os abusos e preconceitos sofridos por ela, seus filhos e outros moradores da favela. O livro foi lançado em agosto e reimpresso oito vezes no mesmo ano; mais de 70 mil exemplares foram vendidos na época. Nos cinco anos seguintes, foi traduzido para 14 idiomas e atingiu mais de 40 países. Até 2009, já foi vendido mais de um milhão de exemplares das obras (publicou outras depois) de Carolina.
Joel Rufino se deixa tomar pela personagem e, em flashes, nos conta sua vida entrelaçando-a com a história recente do Brasil e com agudas reflexões sobre classe, sociedade, raça e escritura. Em dado momento, se enternece com Carolina: “Não conheço fórmula mais poética para dizer o valor da cultura, nas condições difíceis em que viveu e escreveu, que a dela: – O meu sonho era viver cem anos para ler todos os livros que há no mundo”. Rufino, nem é preciso lembrar aos muitos leitores, é historiador, professor e escritor, tendo publicado mais de cinquenta livros e recebido inúmeros prêmios por sua obra literária, inclusive o prêmio Jabuti. É um dos nomes de referência em relação a história e cultura negra no Brasil.
| voltar |
|
|
|
|
|
|
|