| A psicanalista Elizabeth Palatnik trabalha no Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad/Uerj) desde a sua fundação, em 1986. Nesta entrevista ao Canal Saúde, da Fiocruz, fala da problemática da terapia de dependentes de drogas e conta algo da própria experiência:
"Eu comecei a perceber que a queixa que estava sendo dirigida contra o filho com aquela indignação, com aquela revolta, na verdade estava ocultando um profundo sofrimento, e não apenas sobre a questão das drogas. É como se fosse uma janela que abre histórias de vida e questões que muitas vezes não podem ser faladas no devido momento..."
E relata como chegou a certas conclusões teóricas que passaram a orientar sua prática:
"... Fui percebendo com o passar do tempo que queixas dirigidas a certas características do filho eram análogas a coisas que depois essa pessoa falava sobre ela mesma. Então eu passei a compreender essa queixa como queixa projetiva. Projetiva quer dizer o quê? Está colocando em outra coisa, em outra pessoa ou em outra situação externa alguma coisa que é também dela..."
Elizabeth Palatnik é autora do livro "Eu dizia que era ela, ela dizia que era eu - Queixas projetivas na clínica com familiares de dependentes de drogas", um livro que para o professor Benilton Bezerra Jr., da Uerj, "... é o instigante testemunho de uma longa e bem sucedida experiência de escuta de mães de dependentes, e de reflexão sobre o terreno psíquico intersubjetivo que subjaz à
dependência de drogas. Fiel à máxima de que a clínica é experimento e
investigação, cuidado e intervenção, a autora nos mostra como a clínica com
familiares e o uso criativo de conceitos extraídos da teoria psicanalítica
das relações objetais – em especial o de identificação projetiva – podem se
transformar em ferramentas cruciais na construção de alternativas clínicas
para a dependência de drogas."
Veja aqui a entrevista completa:
http://www.canal.fiocruz.br/video/index.php?v=eu-dizia-que-era-ela-ela-dizia-que-era-eu
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